Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Devoluções, não são precisas
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Agora que começou a ler este texto, das três uma: ou vai acontecer, ou está a acontecer, ou já aconteceu a Assembleia de Avaliação da Receção do Sínodo do Patriarcado de Lisboa (18 e 19 de junho). Este é um acontecimento importante para a nossa diocese porque serve para perceber o caminho pastoral feito nestes últimos anos, desde a realização da assembleia sinodal em 2016, com o objetivo de alcançar ‘O sonho missionário de chegar a todos’.

Após a realização do Sínodo, foi publicada a Constituição Sinodal de Lisboa, a partir da qual foram delineados três temas para orientar a pastoral ao longo de três anos que, devido à pandemia, acabaram por se tornar em quatro. A Palavra, a Liturgia e a Caridade, com o objetivo transversal, em todos os anos, de cuidar das relações fraternas, foram o mote para diversas dinâmicas que foram acontecendo, procurando fazer sair para fora a Igreja de Lisboa, levá-la às denominadas periferias, mostrando uma Igreja viva.

Neste último ano, a pandemia veio atrapalhar o que podiam ser muitas iniciativas, mas sobretudo veio retirar gente das igrejas, literalmente. Começou por retirar quando, devido ao confinamento, não foi possível celebrar com a presença dos fiéis; depois, mesmo com o desconfinamento, pelos medos manifestados; mas parece-me, também, por uma desabituação de uma prática que precisa de maior consolidação da fé. É preciso uma fé mais esclarecida, mais aprofundada, mais acompanhada, e nós padres temos, também, responsabilidade nisso. Mas é necessário a disponibilidade pessoal de quem se quer deixar acompanhar, fazer-se acompanhar ou procurar ser acompanhado.

Se, por um lado, a partir da pandemia e com o recurso aos meios digitais foi possível a Igreja estar presente junto daqueles que sentiam a sua falta e se conseguiu chegar a outros que até nem eram próximos, há uma franja daqueles que até andavam por cá, mas talvez sem saberem porque vinham, e agora não estão, nem fisicamente nem digitalmente.

Na lógica comercial, o ‘produto’ existe e é atrativo: Jesus Cristo. O consumidor tem o produto à sua disposição e o marketing que o promove é da responsabilidade de cada um, porque passa pela vida de cada dia. Será que se procura um Jesus com medida certa para cada pessoa, ou aceita-se Jesus na vida com o que cada pessoa é? O Jesus que conhecemos deu a vida por nós e convida a atitudes de coerência e de mudança de vida para uma maior perfeição, conscientes das falhas que podem acontecer. No entanto, é sempre possível recorrer ao serviço de apoio ao consumidor para reparar ou ajustar o que precisa ser ajustado. Devoluções, não são precisas.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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