Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Tocar, de novo, o jornal
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Quase três meses depois, retomamos a publicação do nosso jornal. A suspensão deveu-se ao facto de mais de 90% da publicação ter distribuição nas igrejas e paróquias da diocese, que estiveram encerradas, e, por isso, não ser comportável a sua impressão. Lamento a ausência e digo que, também nós, tivemos saudades suas.

Este tempo de pandemia, em que ainda nos encontramos, tem-se manifestado um tempo difícil para todos. Para além daquelas que foram e, ainda, são, as consequências imediatas desta doença, provocada pelo novo coronavírus, ainda vamos percebendo as consequências remotas de toda a revolução que esta situação causou e pode causar.

Estivemos ausentes dos nossos amigos, familiares, distantes dos nossos lugares de trabalho, da possibilidade de celebrar a fé em comunidade; muitos, infelizmente, perderam os seus empregos, definitivamente ou temporariamente; da estrutura social e económica, muitas coisas tiveram de ser reorganizadas, reestruturadas, repensadas em função do distanciamento sanitário a que a possibilidade de contágio deste vírus obriga. No aspeto pastoral, também a Igreja foi encontrando meios de continuar a realizar a sua missão, sobretudo procurando manter proximidade.

E assim, o mundo foi mudando, o ecossistema, em parte, regenerou, alguns comportamentos foram sendo avaliados e repensados, e percebemos que há coisas que têm mesmo que mudar. Desde o modo de tratar o mundo, até ao olhar com amor o irmão.

No entanto, temos assistido a diferentes modos de enfrentar esta pandemia, com maior ou menor credibilidade, maior ou menor empenho, maior ou menor responsabilidade e caridade. A luta contra esta situação depende de todos e não só de alguns. Se muitos têm dado a vida estando na linha da frente, a responsabilidade desta luta é de todo o ser humano, que se distingue dos animais, precisamente, pela sua racionalidade. Mas, depois, vemos os exemplos que nos são dados por quem devia ser exemplo. Continuamos com limitações, com restrições, mas só para alguns. Compreendo e aceito as limitações, pela segurança e pela saúde de todos, mas devem ser mesmo para todos. Andamos com equipas de voluntários a controlar nas igrejas o acesso das pessoas, se trazem máscara, se desinfetam as mãos, se têm o distanciamento social, se não se movimentam desnecessariamente, se... tudo porque é necessário e acredito nisso. Mas a mesma forma de agir deve ser para todos e não só para alguns. Há quem nos mostre, em campos mais pequenos, que, afinal, não há igualdade.

A liberdade é muitas vezes mal-entendida, esquecendo que a minha liberdade toca a liberdade do outro e, como já dizia São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (1Cor 6,12).

Da nossa parte, ao longo deste tempo, apesar de não termos publicado o jornal, fomos procurando acompanhar a atualidade diariamente, publicando informação no online (www.vozverdade.org) e criámos o ‘3 DICAS’, um programa semanal, transmitido em direto no Facebook, YouTube e Meo Kanal, para dar a conhecer as realidades pastorais da nossa diocese, e a forma como a Igreja foi estando presente durante este tempo de pandemia. Este programa vai continuar, agora às segundas-feiras, às 21h30.

Estamos felizes por poder tocar, de novo, o nosso jornal diocesano.


Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

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