Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Rosto de Jesus no mundo
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O que nos faz felizes? Certamente já nos fizeram esta pergunta, ou já teremos pensado sobre ela. O mundo oferece muitas possibilidades para encontrar um sentido de felicidade na vida, seja no dinheiro, no consumismo, na ambição, no desejo de ter poder, na liberdade para fazer o que bem se entende, etc. A felicidade está, por isso, ao alcance de todos, e cada um escolhe o caminho para a alcançar, de acordo com os valores que considera prioritários e aplica-os segundo a sua consciência e os valores morais que apreendeu ao longo da vida.

Há coisas no mundo que podem dar-nos uma sensação de felicidade, mas sê-lo-á efetivamente? A resposta será individual e não me cabe julgar o que cada um vive, mas a intenção é colocar a pergunta.

O mundo procura a felicidade na realização dos seus desejos. Mas será a concretização dos desejos pessoais a forma de alcançar a verdadeira felicidade? Ao longo da vida, tenho percebido que a felicidade não está, tanto, em fazer o que eu quero, o que eu desejo, porque muitas vezes os meus desejos podem afastar-me da verdadeira felicidade e dar apenas uma ilusão do que é ser feliz. A felicidade não está em fazer o que eu quero, mas em procurar fazer o que Deus quer para mim. Porque, de todas as vezes que faço o que, apenas eu, quero, confronto-me com o sentimento contrário, de infelicidade, de tristeza, por não ter sido capaz de corresponder à vontade de Deus, e deixar-me guiar pela minha vontade.

O Apóstolo São Paulo, cuja memória celebrámos esta semana, deixou registado na primeira carta à comunidade de Corinto uma expressão que serviu de inspiração à cantora Sara Tavares no tema ‘Escolhas’: “«Tudo me é permitido», mas nem tudo é conveniente. «Tudo me é permitido», mas eu não me farei escravo de nada” (1Cor 6,12). É por isso que a nossa vida deve ser vivida procurando a felicidade na vontade de Deus, e segundo São Francisco de Sales, “quem quer o que Deus quer tem o tudo o que quer”. 

Quem procura viver a santidade na vida, e essa deve ser desejo de todo o cristão, deverá ter como mote na vida ‘fazer a vontade de Deus’. Mas esse é o desafio de cada dia: procurar ser feliz fazendo coincidir vontades – a nossa e a de Deus. No entanto, quando não há coincidência, que se faça a d’Ele, mesmo que nos custe não fazer a nossa. Aí, acertamos sempre e não nos arrependemos, dizem os padres espirituais.

Este Domingo, vão ser ordenados, no Mosteiro dos Jerónimos, novos sacerdotes para o Patriarcado de Lisboa. Esta semana, oito padres desta nossa diocese celebraram as suas bodas de prata, e muitos estão a celebrar o aniversário da sua ordenação. O padre é um dom de Deus na Igreja e no mundo, mesmo que o mundo, muitas vezes, não o reconheça, também pelas fragilidades humanas dos padres. Mas a felicidade do padre passa, também, por poder levar felicidade aos outros, sendo rosto de Jesus no mundo.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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