Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Temos sempre razão?
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Não! Não temos sempre razão. Por mais que isso nos possa custar, nós não temos sempre razão, não estamos sempre certos, e a nossa opinião ou ideia sobre as coisas não é sempre a mais correta. Podemos pensar que somos, muitas vezes, os melhores, e por isso colocamo-nos no alto da montanha para que todos nos possam ver, admirar, e até seguir. Podemos ter gestos contra corrente que são chamariz para outros públicos, que até os apelidamos de periferias, mas depois corremos o risco de lhes dar a nossa visão sobre as coisas, o nosso pensar, esquecendo-nos que, enquanto batizados, cristãos, católicos, somos chamados a dar Jesus vivo, o ressuscitado que ainda não foi descoberto em tantas vidas.

Na pregação que São Paulo fazia às comunidades pagãs, o Jesus que lhes apresentava não era aquele facilitador, ‘cool’, porreiro, que dizia o que os outros queriam ouvir para que O seguissem; Paulo apresentava um Jesus que sofreu, que convidava a deixar tudo para O seguir, vivendo o amor numa entrega total, ao ponto de morrer na cruz, e ressuscitar para se fazer presente, vivo no meio de nós, e de nos dar a possibilidade da conversão de vida, experimentando a misericórdia de Deus, e assim uma vida nova.

Muitas vezes, na vida, queremos tudo muito fácil; queremos ouvir o que nos dá mais jeito, de acordo com o que pensamos, defendemos; e estamos em tempo em que queremos impor aos outros a nossa visão sobre as coisas, as nossas vontades e desejos e que os outros vivam até como nós; a fé cristã é sempre uma proposta livre, de liberdade, para a liberdade, que convida a uma adesão livre, sem imposição. Há outras ideologias que nos querem impor e quase que obrigar a seguir, e provavelmente, não seremos normais se as não defendermos ou praticarmos, porque são apresentadas como as certas, ou como a razão a seguir. Mas a própria pregação de Jesus veio trazer controvérsia, desentendimento, inimigos. Por isso, ela, hoje, não é algo do passado, mas muito atual e presente, para a construção de um mundo melhor. Um mundo, não como eu o quero, mas como Deus quer.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

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