Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Será possível a comunhão?
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Há acontecimentos que me têm feito recordar uma passagem bíblica da Carta de São Paulo aos Coríntios, escrita a propósito de um momento em que o Apóstolo se depara com divisões naquela comunidade. “Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado pelos da casa de Cloé, que há discórdias entre vós. Refiro-me ao facto de cada um dizer: «Eu sou de Paulo», ou «Eu sou de Apolo», ou «Eu sou de Cefas», ou «Eu sou de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Ou fostes batizados em nome de Paulo?” (1Cor 1,10-13). Várias vezes me ocorre esta passagem bíblica, quando assisto a cenas que não edificam, em nada, a Igreja que formamos. São comunidades paroquiais que não aceitam o pároco que lhes é oferecido ou aquelas que não querem deixar o padre sair; padres que se sentem donos das comunidades; cristãos que se afastam das paróquias para seguir o padre; padres que se colocam contra os Bispos; divisões de clero e leigos, entre o que dizem ser os conservadores e os progressistas, seja lá o que isso signifique; Bispos e cardeais que fazem frente uns aos outros e aqueles que fazem resistência ao Papa, etc. Poderia elencar ainda mais situações onde, infelizmente, vamos percebendo uma Igreja dividida. O que são as fragilidades humanas que podem levar a esta imagem, têm hoje uma acentuação maior, também devido à fácil propagação da informação, mas são situações humanas, que denotam a realidade de uma Igreja também humana que, no meu ver, fazem muito mal à Igreja no seu todo.

Seja com propósitos de fundamento teológico, ideologias, características de personalidade, desconhecimento do sentido de Igreja, ou simplesmente porque o diabo não tem descanso e sabe como se intrometer, vamos assistindo a estas situações que deturpam a Igreja e a corroem.

Se no tempo de São Paulo, na comunidade de Corinto, já existiam divisões, vamos percebendo, assim, que, hoje, mais de 2000 anos depois, ainda não conseguimos perceber o essencial da mensagem que nos foi deixada por Jesus Cristo e continuamos a reger-nos pelo que podem ser sentimentos humanos sem nos focarmos n’Aquele que é o verdadeiro Caminho. Paulo pedia à comunidade que acompanhava que todos estivessem de acordo, e não houvesse divisões. Será possível a comunhão?

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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