Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Amar a Igreja
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Em todas as famílias, há problemas e dificuldades. Há, também, situações que levam, em determinados casos, à separação ou à divisão. Há conflitos, guerras, mal-entendidos e, infelizmente, crimes e até mortes. Com frequência, temos lido notícias de violência doméstica que nos fazem questionar sobre o seu porquê. Não deveria o pai ou a mãe serem exemplo para os seus filhos? O esposo ou a esposa amarem-se mutuamente? Os filhos amarem os seus pais e cuidarem deles com amor?

O amor deveria estar acima de tudo, mas nem sempre é assim. E mesmo naqueles sobre quem não se esperaria um qualquer ato criminoso, no mistério da pessoa que cada um é, pelas circunstâncias que podem levar a qualquer ação, cuja justificação não tem que ser justificada – isto é, há atos que não justificam o que são –, não se pode deixar de olhar para a pessoa em si.  Qualquer ato de violência tem por detrás o exercer de um poder, físico ou psicológico, sobre o outro. E deixa, nos que são vítimas, marcas físicas ou psicológicas, permanentes ou não. Esses não podem ser esquecidos e precisam da atenção e cuidado. Mas, por isso, colocamos em causa a instituição família? Devemos estar atentos às pessoas, procurar ajudar, corrigir e punir com os meios próprios, adequados e legais, quando necessário, não deixando nunca de denunciar o que está mal. No entanto, não podemos desprezar a pessoa em si, e é manifestação de amor a própria correção. A instituição família, na sua essência, não deixa de ser o que é, e também a correção a vai purificando e fazendo crescer.

Também a Igreja é uma família: a família dos que são filhos de Deus, os batizados. São Paulo escreve que a Igreja é um Corpo, com muitos membros, onde cada um é importante e tem a sua missão a cumprir.  A eclesiologia do Concílio Vaticano II apresenta-nos a Igreja como Mãe, e nós amamos esta nossa Mãe, mesmo com os seus defeitos, porque todos os temos. A Igreja é Mãe dos que são pobres, dos que sofrem, dos que são marginalizados, daqueles para quem ninguém quer olhar.

Mas na Igreja que somos, também há problemas que precisam de ser enfrentados, reconhecidos e corrigidos. Os abusos sexuais de menores, denunciados nos últimos tempos, são um problema, também na Igreja. O Papa Francisco tem insistido na tolerância zero para com estas situações dramáticas que têm envolvido membros do clero. Por um lado, está o crime praticado, e aquele que o praticou.  Por outro, está o modo como a situação foi tratada ou não, se denunciada. Vai-se percebendo que não tem havido uma normativa efetiva sobre o modo correto de como lidar com estes acontecimentos. Pelo desejo de esclarecer, corrigir, purificar e pedir perdão pelo mal praticado, o Papa Francisco convocou, para estes dias, um encontro no Vaticano com os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, que termina neste Domingo, 24 de fevereiro. É urgente conhecer para agir e corrigir. Mas corre-se o risco de, no fulgor da revelação, se cair na permanente acusação. Num encontro com peregrinos italianos, esta semana, o Papa Francisco dizia, tendo como exemplo o Santo Padre Pio: “ele amou sempre a Igreja, mesmo com todos os seus problemas e as suas adversidades. Ele amou a Igreja com tantos pecadores, amou-a como era, e não a destruiu com a língua, como é hoje moda fazer. Aquele que ama a Igreja sabe perdoar porque sabe que ele próprio é pecador e tem necessidade do perdão de Deus. Não se pode viver toda uma vida acusando, acusando, acusando a Igreja. Devem assinalar-se os defeitos para corrigir, mas no momento de assinalar os defeitos e de denunciar os defeitos, ama-se a Igreja”.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

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