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Plano pedagógico ‘Escola no Chiado’
“Uma escola de qualidade significa estar ao serviço das crianças”
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A ‘Escola no Chiado’ é um projeto educativo “de qualidade” onde os pais não ficam dependentes da sua “capacidade financeira” para inscreverem os filhos. A oferta para crianças do pré-escolar e primeiro ciclo, em pleno centro histórico de Lisboa, ganhou nova vida, devido às sinergias entre duas paróquias da Baixa que “apostaram trabalhar em conjunto” e em pareceria com a Fundação Maria Ulrich.

 

Começou numa escola ‘familiar’, na Paróquia dos Mártires, em pleno Chiado e, em três anos, cresceu. Não tanto em número de alunos mas, sobretudo no alargamento do próprio plano pedagógico. Tal como quando o Jornal VOZ DA VERDADE visitou a instituição, no início do novo projeto, em julho de 2014, também agora o princípio orientador é o mesmo: não deixar ninguém de fora. “Percebemos que a maior necessidade das famílias era ter uma proposta educativa de qualidade. Muitas vezes ficavam num âmbito em como se isso dependesse totalmente da capacidade financeira... e isso não pode ser! Isso é o meu ‘cavalo de batalha’”, garante, ao nosso jornal, a coordenadora pedagógica, Catarina Almeida, salientando que a sua “experiência de fé” é “contraditória com o facto de uma educação de qualidade depender de uma capacidade financeira”. “Uma escola de qualidade não é termos instalações espetaculares. Uma escola de qualidade significa estar totalmente ao serviço das crianças”, afirma.

O projeto ‘Escola no Chiado’ é um projeto pedagógico, realizado em pareceria com a  Fundação Maria Ulrich, que viu ser alargada a sua oferta. “Através de conversas na paróquia, começámos a perceber que existiam, nas proximidades, várias instituições de ensino na mesma situação, apresentando alguma dificuldade em lidar com os novos desafios que se colocam hoje”, refere a coordenadora pedagógica, que trabalha para a Fundação Maria Ulrich. É então que chega aos seu conhecimento a situação do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação, da paróquia “mesmo ao lado” da Encarnação, em pleno Chiado, a meio percurso do Elevador da Glória. “O cónego João Seabra, presidente do centro social e paroquial, pediu-nos ajuda para perceber se fazia sentido continuar a ter a instituição aberta”, revela Catarina Almeida, que aceitou depois o desafio de dar novo “fogo” ao projeto, “valorizá-lo e dar inovação às coisas que precisavam”, partindo do trabalho que foi feito, nos últimos anos, pela anterior diretora técnica da instituição, Isaura Pais, que se reformou.

 

Continuidade

A resposta às famílias tem sido o principal desafio do projeto ‘Escola no Chiado’, aplicado inicialmente na escola paroquial dos Mártires e agora desenvolvido também no Centro Social e Paroquial da Encarnação. “Para as famílias é muito interessante uma proposta de continuidade, porque as crianças chegam aos 5 anos e mudam de escola. São sempre disrupções”, lamenta a coordenadora.

Para a atual diretora técnica do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação, Rita Moniz Pereira, a oferta da valência pré-escolar procura ser um “lugar de qualidade onde as crianças possam crescer, independentemente da capacidade financeira, com acompanhamento pedagógico, artístico, cultural... todas as coisas que são desejáveis que uma criança passe no desenvolvimento da sua personalidade”. Por isso, a aposta foi feita no “trabalho em conjunto”, segundo a diretora técnica, que garante ter ganho uma maior proximidade na relação com as famílias: “Há muitas famílias que deixam roupas para algum pai que precisa e, quando isso acontece, nós já sabemos como orientar. Também quando sobra comida, sabemos que há algumas pessoas que precisam. Já conhecemos as famílias”.

 

Gratuidade

A concorrência com a gratuidade é, para a coordenadora pedagógica, o “mais desafiante” deste projeto educativo. “A nossa proposta tem de ser muito boa para uma família, nos dias de hoje, dizer que está disposta a pagar [mesmo com valores calculados sobre os rendimentos], porque quer mesmo que o seu filho tenha este projeto educativo. Isto introduz nas famílias uma responsabilidade pela educação que compromete”, salienta Catarina Almeida.

Ao ouvir o Papa Francisco a falar de “periferias”, esta responsável aplica esse termo ao centro da cidade. “As periferias não são uma questão geográfica, mas sim quando, por exemplo, muitas vezes, as famílias encontram um lugar de abrigo onde podem voltar ao centro daquilo que é a sua vocação como família, de pedir ajuda, por exemplo”, refere.

“Aquilo que nos mede é a confiança que as famílias têm em nós”, sublinha a coordenadora pedagógica, afastando uma situação de concorrência com as escolas do Estado, garantindo que “quanto melhores forem as escolas públicas, melhores serão as crianças”.

 

Comunidade

As crianças da ‘Escola no Chiado’ gozam de um ‘recreio’ privilegiado e que é “aproveitado ao máximo”. Não tendo a possibilidade de gozarem de um espaço exterior nas instalações educativas, alguns dos locais mais emblemáticos de Lisboa são um recreio privilegiado para as crianças do ensino pré-escolar do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação e do primeiro ciclo do Externato Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, da Paróquia dos Mártires. A integração com a comunidade local é uma constante, sendo frequentes as visitas de estudo ao Teatro Nacional de São Carlos ou a museus vizinhos, sem nunca esquecer a comemoração das tradicionais festas litúrgicas e não só. “Existem várias festas que ajudam a desenvolver a relação com a comunidade local, tal como o Natal, Carnaval, Santos Populares – com um arraial, e, no passado mês de maio, o ‘Open day’”, aberto a toda a comunidade, segundo descreve a diretora técnica do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação, Rita Moniz Pereira, referindo o tema – transversal a todas as atividades – que foi escolhido para este ano letivo: “O tema está relacionado com três contos de Sophia de Mello Breyner Andresen: ‘Noite de Natal, Fada Oriana e Menina do Mar’”.

Grande parte dos momentos vividos pelas crianças ficam visíveis na rede social Facebook. “Gostamos muito de pôr fotos dos principais momentos no Facebook (www.facebook.com/Escola-no-Chiado-1553914934821394), para os pais que não podem estar presentes participarem, de outra forma. Qual o pai ou mãe que não gosta de ver o filho nas atividades?”, questiona Rita Moniz Pereira.

Para a coordenadora pedagógica do projeto ‘Escola no Chiado’, este é um grande instrumento que pode ajudar a vencer a “lógica do existencialismo” que, “por vezes, se encontra nestes âmbitos de solidariedade social”. “A cada família que entra aqui, temos o desejo de dizer: ‘Vocês sãos os primeiros que sabem educar os vossos filhos’ e ‘Nós estamos cá para ajudar’. As famílias fazerem parte não é uma estratégia, mas é o reconhecimento da natureza própria da educação, na instituição”, sublinha Catarina Almeida.

Para o futuro, existe o desejo de alargar a mais crianças a possibilidade de uma “continuidade natural” na passagem do ensino pré-escolar para o primeiro ciclo. “É um desafio que já está a ser feito... Cada ano temos mais crianças interessadas em fazer esta continuidade. Se estivéssemos num espaço único, essa passagem seria natural. Esse é o nosso desejo”, aponta a coordenadora pedagógica do projeto ‘Escola no Chiado’.

 

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João Coelho, professor do primeiro ciclo

O crescimento de uma “proposta significativa”

 

O professor João Coelho está no projeto ‘Escola no Chiado’ desde a primeira hora. No Externato Paroquial de Nossa Senhora dos Mártires, é o professor do primeiro ciclo, do 1º ao 4º ano. “Há 3 anos, quando começámos, tínhamos 14 alunos e estamos agora com 19. Para o projeto que é, considero um número muito significativo, mas gostávamos de crescer até aos 25 alunos”, ambiciona este professor, reforçando o crescimento do projeto educativo que é escolhido por famílias que residem na zona do Chiado, em especial no Bairro Alto, ou por pais que trabalham diariamente naquela zona de Lisboa e que escolhem as instituições como uma “proposta significativa”. “Quando chegámos, éramos apenas uma escola de primeiro ciclo que queria criar, na Baixa de Lisboa, uma proposta educativa diferente. Entretanto, percebemos que havia uma instituição, já a funcionar, com quem fazia todo o sentido criar uma sinergia para poder haver uma continuidade do projeto, desde os alunos do pré-escolar e da creche, até aos alunos do primeiro ciclo”, explica João Coelho.

Como mais-valias deste projeto, este professor aponta a “disponibilidade imediata para se resolverem alguns problemas do dia-a-dia”. “É uma coisa que os pais valorizam”, aponta este profissional, destacando também o “ambiente muito familiar, quase como uma casa de avós”, do externato e que é igualmente valorizado pelos pais.

 

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Projeto educativo

Entendemos que educar significa introduzir à realidade total, na medida em que se pretende suscitar na criança um interesse por todos aspetos da realidade; por outro lado, a introdução à realidade total declina-se também na descoberta que todos os “fragmentos” de realidade estão ligados por um significado comum.

 

A família

A escola é a primeira ajuda sistemática à tarefa educativa das famílias. Pretende-se, para isso, estabelecer uma aliança escola-família, baseada na confiança e na partilha de responsabilidades.

 

O método: a experiência

Todas as aprendizagens são propostas às crianças como experiência conjunta entre o adulto e o aluno: propondo um caminho claro de descoberta, o adulto conduz através de um fazer testemunhal, suscitando perguntas e fazendo companhia na verificação das respostas.

 

A criança

Cada pessoa foi criada por Deus, tem um valor infinito e foi feita para conhecer e transformar a realidade. Neste sentido, cada criança é acolhida na escola como única e irrepetível, na consciência afetiva da sua dignidade.

 

O adulto

Todos os adultos na escola educam porque testemunham um olhar e uma atitude perante a realidade, propondo um caminho positivo de descoberta das várias dimensões do mundo que nos rodeia.

 

in http://fundacaomariaulrich.pt

texto e fotos por Filipe Teixeira
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