Juventude |
Jovens da Paróquia de Monte Abraão peregrinam a Fátima
Jesus não é para quem quer, é para quem acredita nele
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O meu nome é João Passinhas e estou aqui para dar o meu testemunho sobre a peregrinação a Fátima que tivemos nos dias 9 e 10 de julho.

 

É sábado, são 5 horas da manhã. “Porquê acordar tão cedo?”, “Fogo, vão ser mais de 20 quilómetros!”, “Não dormi nada!”, “Estou cheio de sono!”, “Está um calor insuportável!”. Estava cansado, não tinha dormido muito bem, mas algo cá dentro dizia que ia valer a pena.

Chegámos à estação às 6 horas da manhã. Não estava à espera de ver tanta gente. Éramos mais ou menos 15 miúdo/as, 6 catequistas e o Padre Abel. Dentro do grupo da catequese dava-me mais com 3 ou 4 rapazes. Pensei que ia ser uma caminhada um pouco mais longa do que o normal com algumas atividades pelo meio.

Apanhámos o comboio até ao Oriente. Ia muita gente no comboio e estava muito calor lá dentro. Não queria imaginar como seria mais tarde. Na minha cabeça continuava a ideia de que seria bom chegar a Fátima, mas muito cansativo. Foi uma viagem silenciosa, não sei se foi por estar muita gente ou por estarmos ainda a acordar.

No Oriente, apanhámos outro comboio em direção à estação Chão de Maçãs em Fátima. Não estava quase ninguém neste comboio. Começou a haver brincadeira, diversão e muita risada. Parecia que estava a começar a valer a pena ter levantado tão cedo da cama. Chegamos a Chão de Maçãs. Quando saí estava mais fresco do que pensava. Talvez por serem ainda 8 horas da manhã. Começámos com uma pequena reza e demos corda aos sapatos. Durante este primeiro período de peregrinação estava tranquilo, metia conversa com os rapazes com quem me dava mais e iam passando o tempo e os quilómetros. Depois de andarmos um bocado fizemos uma paragem para comer e hidratar. Nesta paragem foi-nos posta a primeira questão: “Quem é Jesus para as pessoas ao teu redor”. Foram feitos pares e tivemos de debater a pergunta. Calhei com alguém com quem não falava muito. Voltamos a andar e tivemos de debater com o nosso par.

Passamos de duas pessoas que não falavam muito a dois bons amigos. Mas, para além da conversa sobre a vida de cada um, falámos sobre a pergunta e chegámos à conclusão de que ao nosso redor, na escola, no desporto, etc., vêm as pessoas que acreditam em Jesus como pessoas um pouco estranhas. Porquê acreditar e perder o nosso tempo com algo que nunca vimos nem sabemos se é real? Jesus não é para quem quer, é para quem acredita nele e confia nele e é isso que faz de nós cristãos, somos ensinados por Jesus a praticar o bem e a ter fé nele.

Entretanto, chegou o carro de apoio para enchermos as águas e descansarmos um pouco. Foi-nos dito para depois desta paragem fazermos um período de silêncio até chegarmos ao local do almoço. Foram 15 minutos em que podia estar só em silêncio sem pensar em nada, apenas a relaxar. Mas durante este período pensei: “E para mim? Quem é Jesus?”. Jesus é um amigo, um bom amigo. Alguém com quem posso falar quando me sinto mais em baixo, alguém em quem posso confiar e dizer tudo o que me vai na alma. E, como todos os amigos, há momentos em que pensamos que ele falhou para connosco. Mas não podemos desistir dele pois ele está lá, a ver-nos, a sentir-nos e a ajudar-nos mesmo quando pensamos que não está.

Quando chegámos ao local do almoço, sentia-me um pouco cansado por causa do calor, mas ao mesmo tempo calmo e tranquilo pois durante aquele período de silêncio, respondi a algumas questões que tinha cá dentro. Antes do almoço, tivemos uma missa presidida pelo Padre Abel. Não foi preciso muito para fazer a celebração. Durante a missa só conseguia lembrar-me dos filmes que passam na televisão sobre Jesus, com ele a celebrar a missa com os seus discípulos num descampado. Foi um momento muito bonito que demonstra que não é preciso muito para sentir Jesus.

Almoçámos, alguns dormiram a sesta, e seguimos caminho em direção ao Santuário de Fátima. Este restante caminho foi um grande momento de partilha, diversão e amizade entre todos. Aqui descobri que aqueles que via como amigos e aqueles que não conhecia tão bem, passaram a ser família. Pois é isso que Jesus nos ensina, a sermos como irmãos uns para os outros. Foram grandes momentos de brincadeira, mas também de superação para alguns. Todos puxamos uns pelos outros e aqueles que pareciam não aguentar mais, foram ajudados por todos para chegarem até ao final. Houve momentos em que já não sentia o calor, foi como se tivesse desparecido.

Fizemos uma última paragem numa capela. Esta foi quase devastadora para mim. As pernas quebraram e os calcanhares doíam. Foi como se me tivesse lembrado de que tinha feito mais de 20 quilómetros com mais de 30 graus.

Apesar das dores e do calor, chegámos ao final. Chegámos ao Santuário de Fátima. Foi um momento de alívio e naquele momento em que descemos o Santuário de mãos dadas a cantar a Consagração a Nossa Senhora, foi como se não sentisse dores, foi um momento de paz e um alívio no meu corpo. Sentia que tinha valido a pena e que tinha resposta para todas aquelas perguntas que fazia de manhã ao acordar.

Se valeu a pena? Valeu sem dúvida! Senti que andava um pouco afastado de Jesus e voltei a encontrar-me com ele. Foi como se falasse com ele por pensamentos. Ganhei uma nova paz no espírito. Fiz novos amigos e descobri irmãos. Saiu desta “mini peregrinação” com vontade de fazer a peregrinação completa no próximo ano.

O meu muito obrigado aos catequistas e ao Padre Abel que nos acompanharam neste desafio e fizeram de tudo para que tudo corresse bem.

texto por João Passinhas, catequizando do 9.º ano da Paróquia de Monte Abraão


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150 jovens de Lisboa peregrinam ao túmulo do Apóstolo Santiago

No próximo dia 31 de julho, a equipa do Serviço da Juventude embarcará numa peregrinação a Santiago de Compostela, com mais de 100 jovens a pé e mais outra meia centena que se juntará para o encontro e que terá o seu início com a missa de envio no Seminário dos Olivais.

Esta peregrinação enquadra-se no programa da Peregrinação Europeia Jovem (PEJ). A PEJ acontece em todos os verões dos anos jubilares compostelanos e é um momento para peregrinar até ao túmulo do Apóstolo Santiago.

Esta peregrinação contará também com os símbolos oficias da Jornada Mundial da Juventude.

A OPINIÃO DE
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1. Em setembro de 2008, cerca de 800 pessoas de todas as Dioceses de Portugal participaram em Fátima...
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José Luís Nunes Martins
A vida é feita de inúmeras perdas. Todos os dias o nosso caminho segue enquanto há algo que temos de deixar para trás.
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