Editorial |
Isabel Figueiredo
Dia da Mãe
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No parque onde estaciono o meu carro há uma sebe longa e alta, coberta de pequenas rosas de Santa Teresinha. Numa destas manhãs, em que o dia amanheceu chuvoso, a fragilidade daquela mancha rosada brilhava, porque salpicada pelas gotas de água. Dei por mim a olhar com atenção para cada uma delas, todas diferentes, todas iguais. Umas ainda fechadas, outras já abertas, outras ainda tombadas, com as folhas caídas no chão. Havia um perfume no ar, uma surpresa a que não estamos habituados, nos ramos de flores que compramos em lojas e mercados. E, sem saber como, nem porquê, só me conseguia lembrar da minha mãe e das minhas avós. Como se toda aquela beleza me falasse da maternidade, a que conheço de perto, a que me toca o coração, me ajudou a crescer, me deu alicerces e me ensinou até onde podem ir as bermas dos caminhos. Voltei a olhar, a ver cada uma delas. Rosas em botão, umas esplendorosas, outras sopradas pelo tempo, parecendo velhas e gastas. Mas a fragilidade das pétalas, tão pequenas, esconde uma resistência que renasce ano após ano. Lembrou-me a resistência das mães. As mães que enfrentam o mundo por causa de filhos por nascer, de filhos desaparecidos, de filhos doentes. As mães que trabalham de noite e de dia para darem de comer aos seus, para pagarem uma consulta ou uma escola. As mães que não desistem por amor. As mães que dão colo e passam a ferro, que se zangam e dão gargalhadas felizes tantas vezes por quase nada. As mães que choram quando estão sozinhas, que são violentadas e perseguidas. As mães que amassam o pão, que correm para o último autocarro, que permanecem fechadas em abrigos de guerra e embalam bebés recém-nascidos. As mães que sofrem por amor. E lembrei-me da beleza das mães. Uma beleza que não precisa de corresponder a ideais determinados por outros, mas que traz sorrisos quando se encontra. Uma beleza que não precisa de traços perfeitos, de cabelos tratados ou filtros trabalhados. Uma beleza que coloca no sítio certo, o amor. E lembrei-me da diversidade das mães. De raças, de línguas, de vidas. De idades, de convicções, de educações. Umas que trabalham a vida inteira na mesma fábrica, outras que correm pelo mundo a trabalhar. Umas que falam outras línguas, outras que nascem, vivem e morrem na mesma aldeia, no mesmo ermo abandonado. Sempre o amor. Um Amor que reconhecemos naquele dia em que um Anjo apareceu a Maria e a resposta foi sim. Um Amor que reconhecemos na pobreza do presépio, na simplicidade de Belém, na alegria de umas bodas, no sofrimento do Calvário, na morte da cruz. Um Amor que não tem fim, desde que se ouviram as palavras de Jesus «Eis a tua Mãe». Celebrar o Dia da Mãe, com Nossa Senhora presente é colocar todas as mães no coração de Deus e aí permanecer, numa súplica confiante e numa gratidão sem fim.

 

Isabel Figueiredo

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