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O Dia da Mãe, o Dia do Trabalhador e o início da Semana de Oração pelas Vocações
Ao lado dos filhos. Sempre Mãe
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Maria João Avillez é mãe de uma religiosa carmelita, Deolinda Machado é mãe de coração de vários filhos e Cristina Ferreira é mãe de um padre do Patriarcado. Por ocasião do Dia da Mãe, do Dia do Trabalhador e do início da Semana de Oração pelas Vocações, estas três mães partilham no Jornal VOZ DA VERDADE o significado de cuidar e aceitar a vocação dos filhos.

 

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Ouvir de tão perto a voz de Deus

Nada voltou a ser igual: na minha vida pessoal, familiar, profissional, social. De forma nítida, houve um “antes” e um “depois”, como o passar de uma fronteira. Nos “embates” causados por notícia tão invulgar cruzavam-se total surpresa, algum regozijo, enorme incredulidade: uma vocação religiosa? Nos tempos que correm? Freira? Uma vida de clausura? Mas porquê? Que acontecera? Um desgosto de amor? Um desencontro com a vida? Uma fuga, talvez?

Tudo isto fui ouvindo quando o “mundo” soube que a nossa filha Verónica, de 28 anos, escolhera um Carmelo como forma de vida. Trocando um gabinete ministerial em Bruxelas, um namorado e uma vida que embora de forte militância cristã, era “boa”, cosmopolita e independente, pelo “sim” mais radical que se possa dar a Deus. É certo que houve fraterna alegria na grande família da fé, mas a “mancha” geral foi uma perplexidade constrangida: talvez porque a nossa limitada condição humana nos leve erradamente a ver em Deus o refúgio do lado sombrio da vida – penas, lutos, infelicidades – e não um destino desejado. Um fim em si mesmo, jubilosamente escolhido.

Mais duro e complexo foi chegar à nossa própria aceitação que era afinal o fundo da questão. Para nós – como para todas as famílias onde Deus, por um imenso mistério que talvez se chame graça divina, resolve intervir “directamente” – tudo passaria a ser diferente: a nossa filha – única, em cinco filhos – continuando no mundo, ia deixar de estar no mundo. Sendo nossa, partia em busca de Deus. Não partia para o céu, mas mudava abruptamente de morada terrena. Uma estranheza sem medida. Outra vida, desconhecida, em tudo inédita, que se iniciara com o anúncio da Verónica e que agora se abria diante de nós, no Carmelo de Fátima...

Como decifrar, conviver e aceitar o que aí vinha, abrir espaço interior para dar entrada ao mistério, lidar com essa outra vida – impensável, meses antes – fatalmente também de ausência e renúncia?

Dois irmãos da nossa filha e o seu próprio Pai tiverem – ainda têm – dificuldade em lidar com tal decisão: por um lado, há a dificuldade em usar para com a Verónica do mesmíssimo grau de alegria por ela sentido face à sua escolha; por outro, a dificuldade de qualquer um deles, no silêncio privado do seu coração, aceitar o real significado desse gesto. Um desfasamento de “felicidades” que nunca porém impediu um permanente ambiente de amor, ternura, afecto, ajuda, cumplicidade, entre todos.

Dividida entre duas reações fiz aquilo que ancestralmente define a condição feminina: cuidei. Estive inteiramente com a minha filha e inteiramente com quem se entristecia com a ausência a que iria ser obrigado. Cuidando por igual da alegria de uma e da tristeza dos outros.

Passaram-se vinte e tal anos. Incomuns e de novo perturbantes. O Carmelo passou a ser um destino tão natural como ir ao Saldanha ou à “Baixa”. Somos “amigos do peito” da comunidade, com quem por vezes colaboramos e que sempre reencontramos festivamente. Fazem absolutamente parte da nossa família e como dizia a minha Mãe – que muito apoiou a vocação da Verónica – elas são ali em Fátima uma “extensão” natural da família.

Mas aquilo que de facto conta e fica é a marca admirável da caminhada espiritual da nossa filha, a sua profunda alegria. Olhar para ela, ouvi-la, tão alegre, tão viva, tão vital, amadurecendo em idade e sabedoria, é ver Deus a operar. Escutá-la discorrer, argumentar ou simplesmente falar-nos da sua vida, é vislumbrar o Divino Espírito Santo a derramar luz sobre as etapas – e quem sabe, as pedras – de um caminho tão solitário e recolhido como seu. Permite-nos perceber a densidade, a profundidade, a exigência, daquela dádiva. Nunca é de mais observar ao vivo o modus-operandi de Deus.

As Carmelitas não estão no mundo, mas fazem parte dele da mais prodigiosa das maneiras: como rectaguarda de oração, luz que nunca se apaga, porto de abrigo de esperança, reserva de amor. Testemunho e exemplo. Desmedido exemplo do dom de si, em mundo tão carente de exemplos que nos transportem nas asas do transcendente...

Dizem que o tempo arranja as coisas. Decerto consertou algumas.

 

Maria João Avillez, escritora e jornalista

  

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A conciliação entre o ser mãe e o trabalho

Celebramos no Domingo, dia 1 de Maio de 2022, o Dia da Mãe e o Dia do/a Trabalhador/a. O mês de Maio é o mês de Maria, nossa Mãe, inspiração para todas as mães, que acolhem e abraçam os filhos, em todas as circunstâncias da vida.

Associamos a esta celebração todas as mães trabalhadoras, invocando a bênção da Mãe, para que a dignidade da pessoa e a valorização do trabalho se afirmem como fonte de realização pessoal e social para todas as famílias.

O trabalho exigido sobretudo às mulheres, no apoio aos filhos e dependentes, os cuidados com a habitação digna para a família, os longos horários de trabalho, o trabalho por turnos, a fragilidade dos vínculos laborais e os baixos salários fazem com que as mulheres tenham, muitas vezes, de procurar dois trabalhos para equilibrar o orçamento familiar.

Pensando nas mães de idade maior, nas migrantes e refugiadas, os nossos esforços terão de ser redobrados. O Papa Francisco (n.º 129 FT) diz que «os nossos esforços a favor das pessoas migrantes que chegam podem resumir-se em quatro verbos: acolher, proteger, promover, integrar». Implica que este acolhimento não se fique pelo apoio inicial, mas se faça o «caminho em conjunto», cooperando na promoção da sua autonomia, para que se sintam incluídas na comunidade onde agora residem. É que somos membros da mesma família humana e habitantes da mesma Casa Comum, independentemente da origem social, económica, geográfica, étnica, de cada uma.  

Promover a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar, passa pela criação e implementação de medidas que resultem numa maior dignidade pessoal e familiar, com ganhos para toda a sociedade, como a redução do horário de trabalho, melhores condições de trabalho e salário, bem como uma maior articulação entre os membros da família.

Trata-se de uma outra organização da sociedade que assenta na afirmação do trabalho digno, como defende a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Movimento sindical, no salário justo e no reconhecimento das tarefas inerentes aos cuidadores, quer no espaço familiar, quer no espaço comunitário ou institucional.  

Promover a conciliação entre o ser mãe e o trabalho, passa também pela defesa do «Domingo Livre», para que constitua espaço de encontro da família e possa usufruir do descanso, do lazer, do culto religioso, da formação e da cultura.

O ser humano é o centro da Criação. As novas tecnologias por muito avançadas que se tornem não substituem o trabalho humano. O Papa Francisco recorda-nos que (…) «a Criação não é uma propriedade, que podemos manipular a nosso bel-prazer; nem muito menos uma propriedade que pertence só a alguns, a poucos; a Criação é um dom, uma dádiva que Deus nos concedeu, para a cuidarmos e utilizarmos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão», in Esta Economia que Mata (p.145).    

 

Deolinda Machado, vice-coordenadora da LOC/MTC Diocese de Lisboa

 

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E Maria guardava todas estas coisas no coração

Quando descobri que estava grávida tinha 24 anos. Achava que era uma responsabilidade grande demais para mim. Tive medo. Mas durou poucos minutos. A felicidade era muito maior que o medo.
Quando o meu filho me disse que ia para o seminário tive medo. A responsabilidade era assustadora. Mas como me disse na altura o Padre Rui de Jesus, é uma responsabilidade boa. Uma responsabilidade que só leva a ser melhor pessoa e a ver os nossos defeitos e pecados como algo que o Senhor pode usar…
Podia dizer coisas muito poéticas (verdadeiramente sentidas) como mãe de um padre, mãe de todos os padres / sai um filho de casa, recebemos muitos filhos / que bênção ter um filho padre… Mas na verdade o que sinto é uma enorme gratidão, uma vontade de todos os dias a primeira coisa ser agradecer ao Senhor. E a cada dia sempre um sorriso no rosto porque tristes não evangelizamos!
A nossa vida enquanto casal mudou, a maneira como lido com os meus filhos mudou (não só com o Tiago, mas também com o Tomé) começou um caminho que fomos “obrigados” a seguir a par com o dele. Fomos chamados a outros serviços que só nos ajudam a crescer na fé. O meu marido nos escuteiros, onde nunca pensou ter capacidade de servir. Os dois como ministros da comunhão.
E vou guardando tudo no coração…
Desde que o Tiago entrou no seminário foi o meu lema. O que faria Maria neste caso?
Um dia o Tiago usou essa frase para um problema que lhe pus e eu respondi: há muitos anos que procedo assim!

 

Cristina Ferreira, mãe do padre Tiago Roque, vigário paroquial (coadjutor) de Abrigada, Alenquer e Ota, ordenado em 2019

A OPINIÃO DE
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P. Manuel Barbosa, scj
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