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“Europa não pode ignorar o Mediterrâneo”
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O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Chipre e à Grécia, países que visita por estes dias. Na semana em que a Santa Sé divulgou os horários das celebrações litúrgicas do Papa na quadra natalícia, Francisco garantiu que está “próximo” dos migrantes, autorizou a publicação de nove decretos pela Congregação para as Causas dos Santos e publicou a mensagem para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

 

1. A viagem apostólica do Papa Francisco a Chipre e à Grécia vai decorrer de 2 a 6 de dezembro, naquela que será uma renovada chamada de atenção do Papa para os refugiados. “A Europa não pode ignorar o Mediterrâneo”, salientou Francisco, na mensagem vídeo que envia habitualmente aos países que está prestes a visitar. O Papa Francisco chega ao Chipre dia 2 e parte para Grécia dia 4, onde visitará o campo de refugiados na ilha de Lesbos, terminando a visita no dia 6. Será uma peregrinação às fontes da fraternidade e da humanidade, segundo referiu. “Hoje, o nosso mar, o Mediterrâneo, é um grande cemitério. Como peregrino às fontes da humanidade, irei a Lesbos outra vez, convicto de que as fontes do viver em comum só florescerão de novo na fraternidade e integração: juntos. Não existe outra forma e irei até vós com esta visão”, garantiu.

Francisco destaca ainda os encontros que vai ter com o Arcebispo Crisóstomo II e o Arcebispo Jerónimo II, chefes da Igreja Ortodoxa cipriota e grega, respetivamente. “Como irmão na fé, terei a graça de ser recebido por vós e estar convosco, em nome do Senhor da Paz”, observou o Papa.

 

2. A Santa Sé divulgou, nesta segunda-feira, 29 de novembro, os horários das celebrações litúrgicas do Papa Francisco para a quadra natalícia e a Solenidade da Imaculada Conceição. “Para evitar multidões e o consequente risco de contágio da covid-19”, em vez da habitual homenagem pública à Imaculada Conceição, na Praça de Espanha, centro de Roma, no dia 8 de dezembro, o Papa Francisco “fará um ato privado de devoção, rezando a Nossa Senhora para proteger os romanos, a cidade em que vivem e os doentes que precisam de sua proteção materna em todo o mundo”, lê-se no portal de notícias do Vaticano.

O tempo do Natal é marcado por “numerosas” celebrações presididas pelo Papa Francisco e acompanhadas pelo mundo inteiro. No dia 24 de dezembro, às 19h30 (hora local), o Papa preside à Missa da Noite de Natal, na Basílica de São Pedro e, no dia seguinte, ao meio-dia, à tradicional bênção ‘Urbi et Orbi’.

Na sexta-feira, dia 31 de janeiro, o Papa Francisco vai estar na Basílica de São Pedro, às 17h00, para presidir as primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e recitar o ‘Te Deum’ em ação de graças pelo ano decorrido. A Basílica de São Pedro também acolhe as celebrações nos dias 1 e 6 de janeiro de 2022. No primeiro dia do novo ano, Solenidade da Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus e 55.º Dia Mundial da Paz, o Papa preside, às 10h00, à Eucaristia, assim como a 6 de janeiro, Solenidade da Epifania do Senhor, também às 10h00 locais. No dia 9 de janeiro, Domingo após a Epifania, celebra-se a Festa do Batismo do Senhor, às 9h30, na Capela Sistina, onde o Papa Francisco preside à Eucaristia e Batismo de algumas crianças.

 

3. O Papa chamou à atenção para a situação dos migrantes, lembrando vários casos de pessoas que morrem e enfrentam sérias dificuldades. “Quantos migrantes se expõem, nestes dias, a perigos gravíssimos? E quantos perdem a vida nas nossas fronteiras?”, questionou Francisco, na Praça do São Pedro, depois da recitação do Angelus. “Sinto dor pelas notícias sobre a situação em que muitos deles se encontram; pelos que morreram no Canal da Mancha; pelos que estão nos confins da Bielorrússia, muitos dos quais crianças; pelos que se afogam no Mediterrâneo; pelos repatriados para o norte de África e capturados pelos traficantes que os transformam em escravos, vendem as mulheres e torturam os homens”, prosseguiu, no passado Domingo, 28 de novembro. “Aos migrantes que se encontram nestas situações de crise, asseguro a minha oração e o meu coração. Saibam que estou próximo de vós”, concluiu o Papa.

 

4. O Papa Francisco autorizou, a 26 de novembro, a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar nove novos decretos, nomeadamente dois milagres, cinco mártires e seis virtudes heroicas, onde existem mortes “por ódio à fé”. Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, após a audiência do Papa ao prefeito desta congregação, cardeal Marcello Semeraro, informa que Francisco autorizou a promulgação de vários decretos, como o “milagre atribuído à intercessão do beato Tito Brandsma”. O sacerdote da Ordem dos Carmelitas nasceu a 23 de fevereiro de 1881, em Bolsward (Holanda), e foi “morto por ódio à fé”, no campo de concentração nazi de Dachau (Alemanha), a 26 de julho de 1942. Foi também reconhecido o milagre atribuído à intercessão da bem-aventurada Maria de Jesus (1852-1923, Itália), fundadora da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Imaculada Conceição de Lourdes.

 

5. O Vaticano divulgou a mensagem do Papa para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiências, que se assinala a 3 de dezembro. Francisco começa por referir que a “amizade com Jesus” pode ser “a chave espiritual para aceitar as limitações”, e lamenta que a discriminação ainda esteja “demasiado presente em vários níveis da vida social”, alimentando-se de “preconceitos” e de “ignorância”, e de uma cultura que “tem dificuldade em compreender o valor inestimável de toda a pessoa”, e olha para a deficiência “como se fosse uma doença”.

Muitas vezes, lembra o Papa, a discriminação existe no seio da própria Igreja, e a pior de todas “é a falta de cuidado espiritual”, que muitas vezes se manifestou “na negação do acesso aos Sacramentos” a quem é portador de deficiência. “O Magistério é muito claro nisto e, recentemente, o Diretório para a Catequese afirmou de forma explícita que ninguém pode recusar os Sacramentos às pessoas com deficiência”, sublinha. A Igreja “não é uma comunidade de pessoas perfeitas”, afirma Francisco, para quem o processo sinodal em curso, se for verdadeiramente “participado e inclusivo”, tem de “contar com todos”, mesmo quem é portador de deficiência.

A mensagem lembra que as restrições a que a pandemia obrigou foram ainda mais duras para os deficientes que tiveram, muitos deles, de “permanecer em casa por longos períodos”, alguns sem acesso ao ensino à distância, nem aos serviços e cuidados a que estavam habituados, para além da “separação forçada” dos familiares. Mas, se este tempo veio mostrar que “a condição de vulnerabilidade é comum a todos”, todos são “chamados a remar juntos”, diz o Papa, que termina com um apelo especial à oração, porque “não há ninguém tão frágil que não possa rezar”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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