Lisboa |
Jornada Diocesana da Juventude, em Queluz, reúne mais de dois mil jovens
“A missão de Jesus começa sempre na oração”
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A Jornada Diocesana da Juventude (JDJ), em Queluz, foi a mais participada de sempre. Aos dois mil jovens, o Cardeal-Patriarca de Lisboa desafiou a assumirem, para as suas vidas, a “realeza de Jesus Cristo” e a começar na oração o caminho de preparação até à Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2023. “Se não partimos da oração, não partimos de Deus. Partimos só de nós, e as coisas valem o que valem”, garantiu.

 

A Escola Básica e Secundária Padre Alberto Neto, em Queluz, recebeu a Jornada Diocesana da Juventude que, este ano, se realizou, pela primeira vez, no Domingo de Cristo Rei. Aos jovens, vindos de toda a diocese, o Cardeal-Patriarca começou por desafiá-los a assumirem a realeza de Jesus Cristo – “uma realeza muito distinta de outras” – como definição das suas próprias vidas. “Deus não se impõe por fora, Deus não faz barulho, Deus espera convencer-nos precisamente pela criação que nos oferece e que nós próprios vivemos e compartilhamos com os outros. Mas não é uma imposição de fora, é a verdade das coisas, como ela realmente se apresenta e deve ser recebida. E foi, nesse sentido, que Jesus depois definiu a sua realeza. Vocês lembram-se do resto da conversa com Pilatos: ‘Mas então, tu és rei?’ E Jesus respondeu: ‘É, sou Rei, mas não é como tu pensas, eu sou Rei porque dou testemunho da Verdade e todo aquele que é da Verdade escuta a minha voz’. Esta é a realeza de Cristo”, apontou D. Manuel Clemente, na homilia da Missa, apelando também aos jovens a não descurarem a “participação responsável, livre” na “vida política, que determina o nosso futuro conjunto enquanto concidadãos”.

 

“Em casa”

Para o Cardeal-Patriarca, a “verificação” da realeza de Cristo foi possível, através da constatação de tantos jovens e animadores que estiveram presentes, vindos de todos os cantos da Diocese de Lisboa, “a diocese dos 4 A’s – começa em Alcântara e vai até a Alcobaça, vai desde a Azambuja e até Além-Mar”. “Não foi nenhum reino exterior que nos trouxe aqui, mas foi a verdade de Cristo no nosso coração, a beleza do seu Evangelho, que nos trouxe aqui e que nos faz sentir tão em casa. Vocês já repararam certamente o que está a acontecer aqui, desde esta manhã, e o que acontece em todas as outras ocasiões do género. É que nós rapidamente nos sentimos em casa. Quando nos reunimos em nome do Senhor Jesus – como é o caso –, sentimo-nos imediatamente em casa, estamos bem, temos confiança, estamos uns com os outros, sabemos o que é esta fraternidade que nasce do nosso batismo comum como filhos de Deus. Está é que é a realeza de Cristo! É tão diferente, porque ela não vence apenas, ela, sobretudo, convence. Toca-nos no coração”, assegurou D. Manuel Clemente.

 

Partir de Deus

Vestidos com as cores da JMJ Lisboa 2023 e entoando, com alegria, ao longo de todo o dia, o hino oficial do encontro que vai acolher, na capital portuguesa, a juventude de todo o mundo, os jovens de Lisboa ouviram, no último Domingo, um pedido para o tempo que resta até à JMJ – “que é já depois de amanhã – 20 meses são 20 dias com tudo aquilo que há para preparar”, como lembrou o Cardeal-Patriarca. “A Jornada Mundial da Juventude, essa, começa já (...) e a oração é muito precisa. A missão de Jesus começa sempre na oração. Reparem que, em qualquer um dos quatro Evangelhos, não há nenhum momento importante e determinante na missão de Jesus que não comece em oração”, observou D. Manuel Clemente. “Se não partimos da oração, não partimos de Deus. Partimos só de nós, e as coisas valem o que valem. Às vezes, fazemos brilharetes, mas ainda não é o fulgor do Reino de Cristo, somos só nós. E às vezes as coisas acabam depressa demais, não é por falta de boa vontade, mas não é de boa vontade que está o Céu cheio. Esta oração leva-nos à missão, porque com Jesus coincidimos com o coração do Pai. E então, percebemos melhor e mais profundamente que o Pai nos espera em cada filho e filha que por esse mundo mais necessitam da nossa presença. E é exatamente nesta tensão entre oração e missão, ou melhor, nesta missão que arranca da oração (...), que a Jornada acontecerá”, reforçou o Cardeal-Patriarca, deixando ainda um apelo à evangelização, a começar pelos que estão mais próximos. “Há uma vizinhança inteira a reconstruir na nossa sociedade que pode viver muito junta, mas que não vive muito unida”. “Vamos a isso!”, motivou o Cardeal-Patriarca, no final da manhã, na Missa que foi concelebrada pelos Bispos Auxiliares D. Joaquim Mendes e D. Daniel Henriques e por outros sacerdotes diocesanos.

 

 

“Grande mobilização”

O tema proposto pelo Papa Francisco na sua mensagem para esta 36.ª Jornada Mundial da Juventude – ‘Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!’ (cf. At 26, 16) – foi o ponto de partida das iniciativas preparadas pela organização. Aos jornalistas, o diretor do Serviço da Juventude de Lisboa, João Clemente, explica como decorreu esta que foi a primeira edição do Dia Mundial da Juventude num Domingo de Cristo Rei, tal como foi proposto, há um ano, pelo Papa Francisco. “Os jovens foram recebidos num momento de acolhimento, dinamizado pelo Movimento dos Focolares; depois, houve um momento de oração presidido pelo senhor Patriarca e, de seguida, os jovens participaram num de seis ateliers, todos relacionados com a mensagem do Papa Francisco para este dia. Depois, voltaram à escola, para a Eucaristia, almoçar e para um tempo de confissões e de apresentação de alguns movimentos. Pelas 15h00, foram enviados em Missão para dez locais diferentes de Queluz e arredores para, em festa e alegria, testemunharem o amor que Jesus tem por nós. Por fim, pelas 17h00, os jovens regressaram à escola para um concerto testemunhal do cantor Matay”, descreveu o diretor do Serviço da Juventude, classificando a adesão de cerca de dois mil jovens como “uma surpresa muito positiva”. “Creio que a grande mobilização é o facto de os jovens, há muito tempo, não se poderem encontrar da forma presencial e de estarem alegres por poderem estar juntos”, considerou este responsável, que também vê na preparação da JMJ Lisboa 2023 outro sinal de mobilização. “Acredito que o dinamismo que vai acontecendo, paróquia a paróquia, grupo a grupo, através dos COP’s [Comité Organizador Paroquial] e dos COV’s [Comité Organizador Vicarial], dinamizando as comunidades paroquiais, também contribui para este dia”, considerou.

Isto mesmo é atestado pelo jovem André Nunes, da paróquia da Brandoa, que, ao Jornal VOZ DA VERDADE, assegura que a sua paróquia já se está a mobilizar para a JMJ Lisboa 2023, através das iniciativas organizadas pelo COP. “Para além de estarmos muito felizes por acolher a JMJ em Portugal, estamos muito motivados!”, garante este jovem de 23 anos que, neste dia, relembrou “o espírito das JDJ’s no tempo pré-covid”.

Por sua vez, a jovem Marta Carvalho, da paróquia da Silveira, em Torres Vedras, destaca ao Jornal VOZ DA VERDADE que a JDJ em Queluz foi uma oportunidade para levar para casa a certeza de que, apesar da situação vivida, “há sempre uma segunda hipótese”. “Participei num atelier sobre uma ‘experiência de conversão’. É incrível perceber que, por muito má que seja a situação da pessoa, é sempre possível recuperar”, partilha esta jovem de 16 anos, atestando igualmente as “reuniões e noites de oração” que têm preparado o caminho até à JMJ Lisboa 2023.

 

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JMJ Lisboa 2023 “cada vez mais presente”

Em declarações aos jornalistas, o Cardeal-Patriarca afirmou que a participação “expressiva” e “diversificada” dos jovens nesta JDJ “mostra bem como estão todos já em marcha, com este horizonte da Jornada Mundial da Juventude cada vez mais presente”. “A mobilização é permanente”, assegura.

O facto de a JMJ, prevista para agosto de 2023, poder ser uma “Jornada pós-pandémica”, será, na opinião de D. Manuel Clemente, “um grande momento de relançar aquilo que a juventude pode trazer ao mundo”. “Acreditamos que, em cada geração nova, Deus semeia no mundo esperança e novidade e faz com que o mundo avance. Numa altura que sucede após um tempo tão reprimido pela pandemia, isto será certamente uma explosão de energia – no melhor sentido da palavra – que reabilite a sociedade, não só a nossa, mas as outras que hão de vir”, desejou o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

texto por Filipe Teixeira: fotos por Filipe Teixeira e Serviço da Juventude
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