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Rodrigo Figueiredo, o jovem de Lisboa que participou na abertura do Sínodo, em Roma
“O protagonista, de facto, é o Espírito Santo”
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Foi o jovem que levou o Evangeliário na sessão de abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, no Vaticano. Rodrigo Figueiredo, de 25 anos, é de Lisboa e partilha ao Jornal VOZ DA VERDADE os dias vividos em Roma, as expectativas para este processo sinodal e a forma como, no Patriarcado, o Sínodo tem de caminhar lado a lado com a preparação da Jornada Mundial da Juventude. “Isto é mesmo para todos!”, garante.

 

O momento inicial dos trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, a 9 de outubro, começou com a entronização da Palavra de Deus, numa procissão em que o jovem de Lisboa Rodrigo Figueiredo transportou o Evangeliário. “Foi surreal a oportunidade de estar a participar na abertura do Sínodo”, começa por manifestar, ao Jornal VOZ DA VERDADE, este jovem de 25 anos. Como jovem envolvido na Igreja e na pastoral, Rodrigo revela o que espera deste Sínodo: “Espero a participação de todos. Mesmo! Estive lá e ouvimos muito isso: o Sínodo é para todos! Para os que estão mais longe, para os que estão mais perto… Temos de ir todos, para poder participar. Se não, não se vai mudar nada. Isto é mesmo para todos”, assegura Rodrigo, deixando aos jovens de Lisboa um conselho, em tom de desafio: “Neste Sínodo, há a oportunidade de todos participarem. Nas paróquias, se ninguém vos disser nada, vão lá chatear os párocos para poderem participar”.

Neste processo sinodal que toda a Igreja iniciou no passado mês, este jovem sublinha ainda a necessidade de exigência. “Penso que para não se cair nos riscos que o Papa Francisco referia no seu discurso de abertura do Sínodo – formalismo, intelectualismo e imobilismo – é mesmo preciso sermos exigentes com a forma como estamos neste Sínodo e como o vivemos”, aponta.

 

Espírito como protagonista

O Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo Papa Francisco para toda a Igreja, tem como tema ‘Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’, e vai decorrer até 2023. Em Roma, Rodrigo escutou muitas vezes que os jovens levaram “alegria” ao início desta caminhada. “Nestes dias em que estivemos no Sínodo, acho que levámos alegria. Ouvimos várias vezes isso, que os jovens trazem uma alegria muito grande”, conta. Passou quase um mês da sessão inaugural e Rodrigo sublinha ser “muito inédito” a participação dos jovens “desta forma”, num Sínodo. “Tive aquela sensação: ‘Uau, espetacular o que está a acontecer aqui’. Senti todos muito entusiasmados e sentia-se no ar que aquilo era uma coisa diferente”, frisa.

Apesar do protagonismo que a juventude teve na abertura do Sínodo, o (verdadeiro) protagonista, na opinião deste jovem de Lisboa, é outro. “Houve um rapaz do nosso grupo que disse uma coisa muito bonita: estão sempre a dizer que os jovens são os protagonistas, e jovens são protagonistas, sim; mas, acredito que este Sínodo veio lembrar-nos outra coisa: o protagonista, de facto, é o Espírito Santo. E como todo o povo de Deus é animado pelo Espírito Santo, somos todos protagonistas”, salienta Rodrigo.

 

Silêncio e humildade

Presente em Roma pela primeira vez, este jovem da paróquia de Linda-a-Velha, que colabora no Serviço da Juventude de Lisboa desde 2018, participou na sessão de abertura do Sínodo e lembra como tudo aconteceu. “Cheguei a Roma na véspera, e tinha recebido uma mensagem para participar na procissão de abertura do Sínodo. Disseram-me que ia levar uma vela, mas quando cheguei, percebi que me tinha sido confiado o Evangeliário”, conta Rodrigo, que entrou na Sala do Sínodo acompanhado, na procissão, por um rapaz do Chile e uma rapariga da Índia. Eles, sim, levaram as velas.

Sobre os dias vividos em Roma, Rodrigo diz que os guarda “com muito carinho” e destaca “o lugar que foi dado ao silêncio”, na abertura do Sínodo. “Ao longo do dia de sábado, podíamos encontrar momentos de silêncio, aproximadamente, de cinco minutos. E isto é muito belo, e faz muito sentido, porque é como dar espaço ao protagonista deste Sínodo, o Espírito Santo, para nos inspirar e falar. Acredito mesmo que o lugar do silêncio, neste Sínodo, é essencial, e será mesmo importante fazê-lo muitas vezes nesta caminhada”, aponta.

Rodrigo diz ter sido “uma grande graça” a oportunidade de ter participado também nos grupos de partilha. “Foi muito repetido na abertura do Sínodo, principalmente no grupo de trabalho onde estive, a importância da humildade em todo este caminho sinodal. Ir com uma postura de aprendiz, que sabe que não sabe tudo, e quer escutar. Fazer-se próximo e aprender”, manifesta este jovem, que participou “no único grupo português”, juntamente com mais dois portugueses ligados à comunicação do Sínodo, o padre Paulo Terroso e Leopoldina Reis Simões. “Era um grupo com três portugueses, que tinha muitos brasileiros e também um bispo moçambicano. Foi muito bom escutar, poder participar”, recorda.

A Missa inaugural, na Basílica de São Pedro, no Domingo 10 de outubro, foi também “inesquecível”. “Foi uma Eucaristia muito bonita e sentia-a muito sinodal. À minha volta, era todo o povo de Deus que estava ali”, garante.

 

Jovens de todo o mundo

Rodrigo Figueiredo integra, desde o passado mês de abril, o conselho consultivo juvenil, um órgão do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, da Santa Sé. Por ocasião da abertura do Sínodo, este grupo de 20 jovens de todo o mundo encontrou-se pela primeira vez… fisicamente. “O grupo foi criado no final do ano de 2019, como fruto do Sínodo dos Jovens. Tínhamos uma reunião marcada para 2020, mas, com a pandemia, a reunião nunca chegou a acontecer, portanto esta foi a primeira reunião com todos juntos, fisicamente. Senti que havia ali um sentido de comunidade, de irmãos, de fraternidade”, observa, satisfeito, este jovem, que entrou no grupo em substituição de Tomás Virtuoso, que, entretanto, entrou no seminário.

O conselho consultivo juvenil reúne jovens de todo mundo. “Todos os continentes estão representados. Temos jovens da Indonésia, do Japão, da Índia, do Líbano, de El Salvador, do Uganda…”, salienta Rodrigo. É um grupo “consultivo”, mas que “também formula, e pode apresentar, propostas”, auxiliando o dicastério “em todas as questões relacionadas com a pastoral juvenil”. Foi precisamente por integrar, desde abril passado, o conselho consultivo juvenil que Rodrigo pôde participar na abertura do Sínodo sobre a Sinodalidade.

 

JMJ e Sínodo

Nas palavras de abertura da fase diocesana do Sínodo dos Bispos 2023, o Cardeal-Patriarca de Lisboa referiu que a Jornada Mundial da Juventude e o Sínodo são realidades que vão coabitar. “O que faremos agora e acompanharemos depois, nas fases seguintes do Sínodo dos Bispos, decorrerá a par com a preparação e efetivação da Jornada Mundial da Juventude, que o Papa Francisco marcou para Lisboa em agosto de 2023”, lembrou D. Manuel Clemente, na celebração na Sé, no passado dia 25 de outubro. Para Rodrigo Figueiredo, estas duas experiências “têm mesmo que caminhar lado a lado”. “A sinodalidade que o Sínodo propõe é mesmo caminharmos juntos. Atualmente, em Lisboa, estão-se a passar muitas coisas, mas temos de arranjar uma dinâmica em que a JMJ e o Sínodo consigam andar juntos”, aponta, lembrando que “a JMJ Lisboa 2023 já proporcionou muitas coisas que nos levam a caminhar juntos”. “Só as formações dos Comités Organizadores Paroquiais e Vicariais são um sinal desta procura do caminharmos juntos. Antes mesmo do Sínodo, já estávamos à procura de fazer isso”, garante. “Temos de caminhar juntos! Se não, não vai correr bem”, assegura o jovem português que levou o Evangeliário na abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, em Roma.

 

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Um cumprimento inesperado

Nos momentos que antecederam a abertura do Sínodo, Rodrigo Figueiredo pôde cumprimentar o Papa Francisco. “Não fazia ideia que ia poder cumprimentar o Papa e, posso dizer a verdade, naquele momento estava uma pilha de nervos, porque ia levar o Evangeliário e só pensava que toda a gente estava a ver e que não o podia deixar cair. Até porque ia colocar o Evangeliário, que é pesado, no ambão e abri-lo, e não era uma coisa assim tão fácil… tinha tudo para correr mal!”, começa por recordar. A verdade é que, neste momento de tensão interior, surge, no corredor, o Sucessor de Pedro. “Quando apareceu o Papa Francisco, fiquei calmo. Senti mesmo muita calma. E foi bonito, porque o Papa apareceu ao fundo do corredor. Era o Papa, mas foi uma imagem muito simples, muito humilde, e vê-lo a parar e a cumprimentar todas as pessoas foi algo muito bonito”, acrescenta este jovem de Lisboa. “O Papa perguntou a cada um de nós o nome e de onde vínhamos. Cada um dos meus amigos respondeu, mas o Papa não respondeu nada, só acenava com a cabeça… mas quando fui eu, e disse ‘Portugal’, ele respondeu ‘Jornada Mundial da Juventude’. Foi bonito”, descreve.

No regresso ao nosso país, Rodrigo partilha que as pessoas “perguntam muito como é que são as mãos do Papa”. “Eu não me lembro… só me lembro que é um cumprimento firme e que, naqueles dois segundos, ele está só ali connosco”, garante.

 

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“Quando rezamos juntos, as coisas acontecem melhor”

Rodrigo Figueiredo participou na JMJ de Cracóvia, na Polónia, em 2016, e na do Panamá, três anos mais tarde. Nesta, no continente americano, como voluntário ao longo de um mês. Questionado sobre a importância do caminho de preparação até à JMJ Lisboa 2023, este jovem deixa um alerta: “As jornadas começam quando são anunciadas! Para muita gente, nos países deles, significa começar a angariar dinheiro para a viagem; no país que recebe a Jornada, significa começar a preparar para receber as pessoas. Por isso, é uma longa jornada até a própria Jornada e, se este caminho não for bem feito, não se vai poder viver bem a Jornada”, frisa Rodrigo, reforçando “ser importante que este caminho de preparação seja bem feito, com muita simplicidade e humildade”.

Da presença no Panamá, com mais cinco jovens de Lisboa, Rodrigo guarda uma ‘lição’. “O povo do Panamá é muito bonito, alegre, mesmo que as coisas nunca estejam bem. Eles não eram as pessoas mais organizadas ou as que sabiam organizar melhor eventos, mas eram as pessoas mais centradas em Cristo. Sabiam que nós só podemos fazer isto se for com Cristo”, destaca. Por isso, “a oração é um lugar muito central” na preparação da JMJ. “Lembro-me de estar a trabalhar no Panamá, tocar um sino e vamos rezar. Lá, Jesus é o protagonista. Isto marcou-me muito. Porque, quando rezamos juntos, as coisas acontecem melhor”, assegura este jovem.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Vatican Media e Synod
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